Pedro Sousa, diretor de Gestão de Vendas da Randstad Portugal, destacou três tendências que irão influenciar o mundo do trabalho e a Gestão de Pessoas em 2026.

O tempo é um recurso democrático: todos temos 24 horas por dia e os mesmos dias no ano. A percepção que temos do tempo, no entanto, pode variar. Muitos concordam que a sensação de que o tempo passa mais rápido é comum. Embora o ano ainda tenha 365 dias, a velocidade das mudanças é impressionante. Refletir sobre 2026 não é apenas um exercício de previsão, mas uma preparação para as táticas que colocaremos em prática já a partir de amanhã.

Com base nos dados mais recentes da Randstad Research e na prática do dia a dia, podemos afirmar que o futuro do trabalho não será definido apenas pela tecnologia, mas também pela intersecção entre especialização, equidade e as expectativas do talento. Ao olharmos para 2026, três tendências de transformação se destacam como fundamentais na Gestão de Pessoas.

A hiper-especialização humana na Era da IA

Na quarta revolução industrial, a tecnologia avança rapidamente. Os dados mostram que a mudança tecnológica é a força mais disruptiva, com a Inteligência Artificial e o Machine Learning transformando os negócios e os ambientes de trabalho de forma profunda. Contudo, em 2026, o foco deixará de ser o “medo da substituição” para a “valorização do humano”. A automação assumirá tarefas repetitivas, permitindo que os talentos se concentrem em agregar valor, empatia, criatividade e decisões complexas. As ferramentas de Inteligência Artificial atuarão como um “canivete suíço” de habilidades técnicas à disposição de cada profissional. Isso exigirá um investimento massivo em upskilling e reskilling, áreas nas quais muitas empresas ainda precisam investir mais. A estabilidade profissional não virá mais de um “emprego para a vida”, mas sim da segurança que os colaboradores sentem em suas competências. As organizações líderes se tornarão verdadeiras escolas de especialização.

O propósito e a equidade como âncoras de retenção

As novas gerações impuseram uma clara exigência: o alinhamento de valores. De acordo com os dados do Workmonitor 2025, embora a remuneração continue a ser importante para 90% dos profissionais, não é mais o único fator motivador. Em 2026, a “cola” que manterá as equipes coesas será a equidade e o propósito. O equilíbrio entre vida profissional e pessoal é valorizado por 91% do talento, superando ligeiramente a própria remuneração. As empresas precisarão assegurar que sua marca como empregadoras reflete realmente uma cultura de inclusão e bem-estar. Sem um propósito claro, a direção se perde e os talentos buscam organizações que ofereçam estabilidade emocional e ética.

A liderança “tailor-made” e a agilidade na decisão

O conceito de liderança tradicional está se tornando obsoleto. Em setores avançados, como Tecnologia da Informação, cresce a demanda por competências como resiliência e agilidade. Em 2026, a gestão de pessoas requer líderes capazes de atuar como treinadores: inspirar, fornecer feedback constante e adaptar o estilo de liderança a cada indivíduo. Em um cenário onde 90% das pessoas valorizam a segurança no emprego, a liderança deve criar a segurança psicológica necessária para fomentar a inovação e a produtividade. A gestão deve ser mais humana e próxima, focando em resultados ao invés de horas trabalhadas. Ignorar essa necessidade de agilidade pode resultar em uma perda na luta por talentos qualificados, que se tornarão cada vez mais escassos.

A preparação para 2026 já começou há algum tempo nas organizações e exige liderança com coragem para decidir rapidamente em um contexto em que a hesitação pode comprometer o futuro. O sucesso no novo ano dependerá da nossa capacidade de criar ambientes onde a tecnologia serve as pessoas e a especialização gera valor real. Que possamos traçar esse caminho com ambição e humanidade.

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