Por António Saraiva, Business Development manager_ISQ Academy
Discutir produtividade, durante muito tempo, significava praticamente falar apenas sobre outputs, metas e velocidade. Na prática, as empresas que maximizavam resultados frequentemente sacrificavam o bem-estar, resultando em absentismo, rotatividade, baixa criatividade e decisões apressadas. Atualmente, é evidente que o bem-estar corporativo não é uma tendência passageira ou um bônus, mas um verdadeiro ativo estratégico.
Quando se aborda a saúde, tanto física quanto mental, o propósito e as condições de realização das atividades, a produtividade se transforma de uma corrida de curta distância em um desempenho sustentável. Contudo, esse bem-estar vai além de benefícios como ginásios ou frutas no escritório. Trata-se de criar um ecossistema que permita a cada pessoa trabalhar com energia, segurança psicológica e um sentido de propósito. No entanto, se a cultura de uma organização tolera microagressões, metas incoerentes ou inatingíveis, e reuniões excessivas, qualquer programa de bem-estar será apenas uma abordagem superficial.
Por outro lado, empresas que incorporam o bem-estar em sua cultura, processos e práticas de liderança obtêm ganhos significativos e reais em foco, inovação e, consequentemente, resultados, sem desgaste humano. Em última análise, a produtividade sustentável significa fazer melhor, com consistência, e não apenas fazer mais em menos tempo. As estratégias atuais para implementar o bem-estar com impacto real consideram ações diretas na Cultura e Liderança, Saúde Mental e Gestão do Estresse, Flexibilidade Inteligente, Reconhecimento e Propósito, além de uma adequada Higiene de Processos.
É essencial desenvolver uma liderança empática, sem perder a exigência – a empatia não exclui a responsabilidade, mas alinha metas às pessoas. Também é crucial considerar a segurança psicológica dos colaboradores e a coerência entre objetivos, prazos e recursos. Da mesma forma, é fundamental promover a literacia emocional e implementar micropráticas fisiológicas, especialmente após períodos de estresse elevado. Modelos híbridos de trabalho, com regras bem definidas, demonstram vantagens, especialmente ao se buscar autonomia acompanhada de responsabilidade.
Não se pode negligenciar a importância do reconhecimento frequente e específico, assim como a conexão com a missão organizacional, que são fundamentais e têm um impacto real na vida das pessoas e no bem-estar corporativo. Ademais, é importante prestar atenção à higiene de processos, pois seu descuido pode minar, lentamente, todo o ambiente positivo. Nesse sentido, deve-se ter cuidado com a gestão das cargas cognitivas, evitando multitarefas, principalmente em atividades que exigem alta concentração, bem como a proliferação de reuniões desnecessárias. Reuniões devem ter propósito, com agendas claras e objetivas, caso contrário, o espaço para a ruminação aumenta.
O bem-estar corporativo é, assim, uma escolha estratégica. Com pequenas e relevantes ações, é possível criar condições para que as pessoas possam oferecer o seu melhor de maneira consistente e humanizada. O retorno se traduz em uma produtividade mais estável e inovadora, com maior retenção de talentos e uma melhor client experience. A produtividade sustentável não é um sprint, mas sim uma maratona bem planejada!
