O ano de 2026 deverá trazer algum alívio no ritmo da inflação, que se prevê fixar nos 2,1%, e um novo ajustamento no IRS. Ainda assim, as famílias portuguesas vão enfrentar aumentos em várias despesas essenciais, desde rendas e portagens a transportes, telecomunicações e bens alimentares como carne e peixe.
Apesar de alguns preços se manterem estáveis, ou mesmo registarem ligeiras descidas pontuais, o custo de vida continuará pressionado por atualizações tarifárias e pela evolução dos custos de produção e serviços.
Energia com comportamentos distintos
No mercado regulado da eletricidade, a fatura mensal vai subir, em média, 1% a partir de janeiro. De acordo com o regulador do setor, o impacto traduz-se num acréscimo inferior a 30 cêntimos por mês para a maioria das famílias. Mantém-se o desconto aplicado aos consumidores com tarifa social, que continuará a permitir poupanças significativas.
Já no mercado liberalizado, alguns comercializadores anunciaram reduções na fatura, apesar do aumento das tarifas de acesso às redes. No gás natural, a atualização aplicada no final de 2025 mantém-se em vigor até setembro de 2026.
Água e correios também mais caros
As tarifas da água variam consoante o município, mas a recomendação do regulador aponta para uma atualização próxima dos 1,8%. Em Lisboa, a empresa responsável pelo abastecimento indicou que a maioria dos consumidores terá um agravamento mensal inferior a 20 cêntimos.
Nos correios, os serviços postais do serviço universal vão sofrer um aumento médio superior a 6%, com impacto direto no envio de correspondência simples.
Transportes: passes mantêm-se, bilhetes sobem
Os passes sociais mantêm os preços atuais em 2026, tanto nas áreas metropolitanas como no Passe Ferroviário Verde. No entanto, os bilhetes ocasionais dos transportes públicos registam pequenos aumentos, sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.
Nos comboios, as viagens de longo curso terão uma atualização média superior a 2%, refletindo-se no preço dos bilhetes de serviços como o Alfa Pendular.
Telecomunicações ajustadas à inflação
As principais operadoras de telecomunicações vão atualizar preços ao longo de 2026, seguindo a taxa de inflação prevista. As alterações não abrangem todos os tarifários, ficando excluídos alguns planos recentes, pré-pagos ou contratos celebrados mais recentemente.
Habitação continua sob pressão
As rendas de casa vão poder ser atualizadas em 2,24%, o que significa que, por cada 100 euros de renda, o aumento será de 2,24 euros. No crédito à habitação, não são esperadas oscilações significativas nos primeiros meses do ano, dado o cenário de estabilidade das taxas Euribor em torno dos 2%.
No IMI, o valor médio de construção por metro quadrado aumenta pela primeira vez desde 2023, mas o impacto só se fará sentir em imóveis novos ou sujeitos a reavaliação.
Portagens com nova atualização
As portagens das autoestradas sobem 2,29% em 2026. Em contrapartida, avançam novas isenções em algumas vias, incluindo troços do interior e, no caso da região do Porto, a Circular Regional Exterior passa a isentar veículos pesados.
Alimentação: carne e peixe puxam pela fatura
Os preços da carne e do peixe deverão registar aumentos próximos dos 7%, refletindo custos de produção e distribuição. Já o pão e os produtos de pastelaria terão subidas mais moderadas, abaixo da inflação prevista.
Medicamentos sem aumento e mudanças nos bancos
Os medicamentos comparticipados até 30 euros mantêm os preços em 2026, abrangendo antibióticos, analgésicos e fármacos para doenças crónicas. Nos bancos, termina a isenção da comissão de amortização antecipada nos créditos à habitação com taxa variável, voltando a aplicar-se a penalização de 0,5%.
