A Antiga Fábrica Vasco da Gama, em Matosinhos, acolheu este sábado a inauguração da instalação artística “Ricochete”, um projeto multidisciplinar que combina som, imagem e memória industrial, desenvolvido a partir do desmantelamento da antiga refinaria da Petrogal, em Leça da Palmeira.
A inauguração contou com a presença da presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, e do vereador da Cultura, Fernando Rocha.
Segundo a autarquia, “Ricochete” é fruto da colaboração entre os músicos António Rafael, Luís Fernandes e Miguel Pedro, e o artista plástico Miguel C. Tavares, em parceria com a equipa responsável pelo desmantelamento da refinaria. O projeto emergiu de diversas visitas ao local, nas quais foram capturados sons e imagens que serviram de base para a criação artística agora apresentada ao público.
Som e imagem a partir de um território em transformação
No espaço expositivo, a atmosfera de um tanque industrial é recriada, evocando os antigos tanques de armazenamento de combustível e matérias-primas da refinaria. Essas estruturas, que inspiraram o projeto, revelaram uma riqueza acústica e visual notável, explorada na instalação através da amplificação natural do som proporcionada pela arquitetura, aliada à ativação sonora com sintetizadores e outros instrumentos eletrónicos.
A componente sonora é acompanhada por registos visuais que refletem a escala, a arquitetura e a paisagem de um território em transformação. Mais do que um exercício de preservação da memória, “Ricochete” propõe uma reinterpretação artística dos ruídos, ecos e marcas de um passado industrial, convertendo-os numa experiência sensorial contemporânea.
Instalada na Antiga Fábrica Vasco da Gama, um espaço emblemático da tradição conserveira portuguesa, a obra convida à reflexão sobre a memória coletiva de Matosinhos e sobre como antigas paisagens industriais podem ser reintegradas na vida cultural da cidade, mesmo após o término da sua função original.
A instalação “Ricochete” pode ser visitada até 3 de maio, com entrada livre.

