O relatório “Estado da Educação” de 2024, elaborado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), revela que muitos professores estão considerando deixar as escolas para se dedicar a outras áreas, principalmente devido à insatisfação com os salários. Em uma perspectiva global, cerca de 20% dos docentes ponderam abandonar a profissão nos próximos cinco anos.
Esse índice, conforme o documento, «é especialmente alarmante entre os professores com menos de 30 anos, onde a intenção de saída atinge 54%».
De acordo com as estimativas do Conselho Nacional de Educação, o sistema de ensino necessitará de quase 40 mil novos professores. «Dos aproximadamente 122 mil professores ativos em 2024/2025, apenas 76 mil continuarão em função, o que representa uma redução de 37% na oferta», portanto, será necessário recrutar cerca de 3.800 novos docentes anualmente até 2034/2035.
O estudo indica que a educação pré-escolar será a mais afetada, com uma perda relativa de 55% no seu corpo docente, necessitando de 4.053 educadores. Por outro lado, o 3.º ciclo do ensino básico e a educação secundária enfrentarão a maior demanda absoluta, com 20.606 recrutamentos, após uma redução de 39% na oferta. O 2.º ciclo do ensino básico também sofrerá uma redução prevista de 42%, necessitando de 6.407 novos docentes até 2035.
A projeção do Estado da Educação 2024 aponta ainda para dificuldades no Ensino Superior, onde há uma concentração significativa de profissionais próximos da aposentadoria. «Quase metade dos docentes, 46,8%, tem 50 anos ou mais, enquanto apenas 22,9% são mais jovens, com menos de 40 anos, totalizando apenas 9.483 docentes. A urgência desse desafio é evidenciada pelo fato de a porcentagem de docentes com 60 anos ou mais na educação superior quase ter dobrado na última década», destaca o documento. Para o CNE, «esse cenário indica que a educação superior enfrentará, assim como a educação pré-escolar e a educação básica e secundária, uma onda crítica de substituição de quadros nos próximos anos».
