Consciência. Coerência. Coragem. Estes elementos são essenciais na forma como trabalhamos, gerimos e nos posicionamos na vida. Um líder que incorpore esses três princípios transforma verdadeiramente a cultura organizacional.
Por Mariana Canto e Castro, diretora de Recursos Humanos da Randstad Portugal
O rating triplo A é a mais alta classificação de risco de crédito, concedida por agências a instituições financeiras, empresas ou governos que demonstram uma capacidade excepcional de cumprir suas obrigações financeiras. Essa classificação transmite confiança e credibilidade, sendo o objetivo de muitas entidades.
Mas e o conceito do triplo C? Refere-se a um princípio fundamental em nossa atuação: consciência, coerência e coragem.
Iniciemos com a Consciência: nos dias de hoje, poucos a possuem, enquanto o ego se sobressai e a alienação se torna comum. O autoconhecimento, embora muitas vezes doloroso, é vital para que possamos tomar decisões informadas e justas. Ele se alia à empatia, que nos permite compreender as situações pelo ponto de vista dos outros, promovendo assim ambientes mais harmoniosos. Dessa forma, a tomada de decisões éticas torna-se um passo natural, considerando o impacto positivo das nossas ações para todos.
Ao nos conhecermos bem, avançamos para a Coerência. Sua importância é reconhecida desde tempos remotos, e até a sabedoria popular critica sua falta: “Bem prega Frei Tomás, façamos o que ele diz e não o que ele faz”. Todos somos capazes de identificar integridade, assim como suas ausências; transparência nas intenções e a eliminação de agendas ocultas e interesses pessoais são fundamentais. É gratificante ver alguém que realmente age conforme suas palavras.
Com a autoconfiança que adquirimos por meio do autoconhecimento e a tranquilidade que vem de agir de acordo com nossos valores, enfrentamos a última prova: a Coragem.
Coragem não é a ausência de medo; é estar plenamente ciente do ambiente ao nosso redor, de nós mesmos e dos outros. É alinhar-se a esses princípios, avaliando riscos e avançando mesmo quando o cenário se mostra desafiador. Trata-se de buscar fazer o bem e o que é certo, controlando o medo para que ele não nos paralise. Assumir riscos calculados e encarar desafios com objetividade ajudam a cultivar a coragem em nossas vidas.
Um líder que incorpora esses três elementos pode realmente transformar a cultura organizacional; e não precisa ser um líder formal; pode ser alguém que, por seu carisma, naturalmente assume uma posição de influência, inspirando os outros a se esforçarem por mais e melhor. Essa pessoa promove um ambiente de trabalho seguro, estimulante, motivador e saudavelmente competitivo, impulsionando o alto desempenho das equipes que lidera ou nas quais participa, pensando de maneira inovadora e incentivando os demais a fazer o mesmo, com planejamento sustentável a médio e longo prazo.
Consciência – Coerência – Coragem. Na história do “Feiticeiro de Oz”, encontramos um espantalho que desejava ter um cérebro; para desenvolver sua consciência? Um homem de lata que sonhava ter um coração; para viver em coerência? E um leão que queria ser corajoso; porque a coragem é essencial para a vida?
Embora seja um “conto de fadas” moderno com interpretações políticas, a narrativa é predominantemente considerada uma jornada de autodescoberta e amadurecimento psicológico.
Que todos os líderes encontrem seu lugar mágico e sua verdade, que todos cheguem a Oz, pois somente com líderes assim teremos empresas fortes, saudáveis e sustentáveis em todos os sentidos. Não podemos esquecer que a “yellow brick road” é o caminho dourado que nos conduz ao sucesso.
Este artigo foi publicado na edição de Dezembro (nº.180) da Human Resources.
