Raparigas imigrantes e de famílias abastadas estão entre os alunos mais vulneráveis ao bullying, de acordo com um estudo internacional da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).

O relatório intitulado “Bullying na Educação: Prevalência, impacto e respostas em diferentes países” revela que nas escolas dos países da OCDE ocorre um padrão de vitimização: são rapazes imigrantes oriundos de famílias privilegiadas.

Pesquisas confirmaram que os rapazes são mais afetados por bullying do que as raparigas e que alunos imigrantes ou com antecedentes de imigração estão mais vulneráveis em comparação com os nativos.

A gravidade da situação aumenta quando esses rapazes pertencem a famílias de renda alta, acrescenta o estudo.

Os pesquisadores apontam que uma possível explicação para isso reside no fato de que as crianças de famílias mais ricas têm mais facilidade em identificar e relatar casos de bullying do que seus colegas de classe mais pobres.

A relação entre ser imigrante e oriundo de um contexto familiar favorecido pode ser justificada pela quebra de estereótipos que associam imigrantes à pobreza e ao baixo desempenho educacional.

Para apoiar essa teoria, o relatório menciona um estudo realizado nos Estados Unidos, que revela que estudantes afro-americanos e latino-americanos de famílias com melhores condições financeiras sofrem mais bullying em comparação com seus colegas em situações desfavorecidas, por desafiá-los a imagem étnica e racial vinculada à pobreza.

Além disso, outros fatores de risco incluem características físicas distintas, deficiências, orientações sexuais não convencionais e a pertença a grupos minoritários.

A escola também desempenha um papel importante, pois quanto mais um aluno se destaca socioeconomicamente de seus pares, maior será o risco de sofrer bullying, alertam os especialistas.

O estudo evidencia que a maioria dos estudantes já enfrentou situações que poderiam ser consideradas bullying escolar, embora apenas uma pequena parte tenha se deparado com casos de consequências severas.

Para combater e reconhecer o bullying escolar, o ambiente familiar é crucial, segundo a OCDE. A presença de amigos, a aceitação entre colegas e a integração em grupos de apoio são igualmente importantes.

Os autores do relatório reconhecem a complexidade em identificar e enfrentar essa problemática, defendendo a necessidade de medidas nacionais e boas práticas em casa.

Algumas iniciativas implementadas em Portugal incluem a oferta de “cursos online sobre bullying para profissionais da educação” e “formação específica dentro do plano nacional Escola Sem Bullying | Escola Sem Violência”.

Os especialistas também ressaltam que o Ministério da Educação de Portugal criou uma plataforma com recursos voltados para o desenvolvimento profissional, além de um curso destinado à formação de formadores em centros de formação de professores.

A OCDE observou que, após um período de redução na média de intensidade do bullying entre 2018 e 2022, os casos voltaram a aumentar em 2022.

Os pesquisadores acreditam que essa diminuição pode estar associada à pandemia de COVID-19, que resultou no isolamento e fechamento das escolas.

No cenário global, a Coreia do Sul e o Japão destacam-se positivamente, apresentando uma contínua diminuição da intensidade do bullying entre 2015 e 2022. Em contraste, a Dinamarca registrou um aumento leve, mas significativo, na intensidade do bullying entre 2018 e 2022 (+1,12%), desafiando a tendência global observada nesse intervalo.

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