O ano de 2026 é esperado como um período de redução da taxa de inflação para 2,1% e um novo alívio no IRS, mas as famílias enfrentarão um aumento generalizado nos preços de diversos bens e serviços.

Serviços como rendas, telecomunicações, bilhetes de transportes e portagens tendem a acompanhar ou até superar a inflação prevista para o próximo ano, enquanto itens de consumo, como carne e peixe, continuarão a ficar mais caros, com aumentos que devem ultrapassar esse percentual.

Os principais aumentos de preços previstos para o próximo ano são os seguintes:

A conta de eletricidade para os mais de 800 mil clientes do mercado regulado terá um aumento médio de 1% a partir de 1 de Janeiro. Conforme a ERSE, o regulador do setor energético, essa alteração resulta em um acréscimo entre 0,18 e 0,28 euros na fatura mensal de energia, já com taxas e impostos inclusos.

Assim, a partir do próximo mês, considerando uma potência de 3,45 kVA e um consumo anual de 1.900 kilowatts-hora (kWh) para um casal sem filhos, o total médio a pagar será de 36,82 euros. Para um casal com dois filhos, com uma potência de 6,9 kVA e um consumo de 5.000 kWh/ano, a média da fatura será de 95,03 euros.

No próximo ano, os consumidores com tarifa social terão um desconto de 33,8% sobre a tarifa normal, resultando em uma economia média de 13,50 euros para um casal sem filhos, e de 32,95 euros para um casal com dois filhos.

No mercado liberalizado, levando em conta que a ERSE anunciou um aumento médio de 3,5% nas tarifas de acesso às redes de eletricidade para 2026, o que impacta o valor final a ser pago pelos consumidores, a EDP Comercial, que lidera neste segmento, anunciou uma redução real de 1%, e a Galp de 0,5% nas faturas das famílias.

É responsabilidade de cada município decidir os novos tarifários a serem aplicados em 2026, mas a tendência é que haja um agravamento, já que nas tarifas de captação e tratamento de água, o regulador recomendou uma atualização de 1,8%.

Gás natural

O aumento de 1,5% que entrou em vigor em 1 de Outubro resultou em uma elevação média de 0,21 a 0,36 euros nas faturas mensais das famílias no mercado regulado. A nova tarifa permanecerá válida até 30 de Setembro.

Transportes

Os bilhetes da CP terão um incremento médio de 2,26% em 2026, com um bilhete simples no Alfa Pendular entre Lisboa e o Porto custando 49,90 euros na classe Conforto e 35,70 euros na Turística. Os custos do Passe Ferroviário Verde e dos passes Navegante e Andante não sofrerão alterações em 2026.

O Passe Ferroviário Verde (válido na CP) continuará a custar 20 euros mensais, o Navegante Metropolitano (válido em toda a Área Metropolitana de Lisboa) 40 euros mensais, o Navegante Metropolitano (válido em um concelho) 30 euros e o Navegante +65, para idosos, manter-se-á em 20 euros.

No que se refere ao Andante, nos transportes públicos da Área Metropolitana do Porto (AMP), a maioria dos passes mensais custará 40 euros (passe metropolitano) ou 30 euros (municipal ou três zonas).

Os preços dos bilhetes ocasionais do Andante serão atualizados entre 05 e 10 cêntimos de euro, exceto para o título Z2, que permanecerá em 1,40 euros. O preço do Z3 passará de 1,80 para 1,85 euros, o Z4 de 2,25 para 2,30 euros, o Z5 de 2,75 para 2,80 euros, o Z6 de 3,20 para 3,25 euros, o Z7 de 3,65 para 3,75 euros, o Z8 de 4,10 para 4,20 euros e o Z9 de 4,55 para 4,65 euros.

A Carris também aumentará as tarifas na cidade de Lisboa a partir de 1 de Janeiro. O bilhete de bordo nos autocarros subirá de 2,20 para 2,30 euros, e a tarifa de bordo dos elétricos de 3,20 para 3,30 euros.

Uma viagem pré-comprada de uma hora, em toda a rede da Carris/Metro, custará mais 05 cêntimos, passando de 1,85 para 1,90 euros, enquanto o bilhete de 24 horas Carris/Metro aumentará para 7,25 euros (atualmente 7,00), Carris/Metro/Transtejo para 10,35 euros (de 10,00) e Carris/Metro/CP para 11,40 euros (de 11,00).

Uma viagem pré-comprada de uma hora em toda a rede da Carris, com o cartão Zapping, que pode ser carregado com valores entre três e 40 euros, subirá de 1,66 para 1,72 euros.

Telecomunicações

A NOS irá aumentar os preços em alguns de seus serviços em 2026, conforme a taxa de inflação esperada. A Meo também anunciou que elevará seus preços no próximo ano, exceto para os ‘serviços da marca digital Uzo e da marca para o segmento jovem Moche’.

Em 9 de Janeiro, a Vodafone Portugal também irá atualizar o preço de seus serviços, “até o valor máximo da taxa de inflação prevista para 2025”.

Para novas adesões, refidelizações e upgrades de serviços empresariais, a “atualização de preços não será aplicada durante os primeiros seis meses, ou seja, até 8 de Julho de 2026”.

Os preços a serem aplicados pelos CTT em 2026 aumentarão em média 6,20%, com o serviço de correio normal nacional (até 20 gramas) custando mais quatro cêntimos. Os novos preços dos serviços postais que compõem o serviço universal entrarão em vigor em 2 de Fevereiro.

Rendas

As rendas de casa terão um aumento de 2,24% em 2026, conforme informado pelo coeficiente de atualização de rendas do INE. Na prática, esse aumento equivale a 2,24 euros a cada 100 euros de renda, o que significa que uma renda de 1000 euros deve aumentar 22,40 euros no próximo ano.

IMI

O valor médio da construção por metro quadrado, considerado na fórmula de cálculo do IMI, aumentará 38 euros em 2026, subindo dos atuais 532 para 570 euros.

Ainda que contribua para o cálculo do Valor Patrimonial Tributário (VPT) dos imóveis, sobre o qual a taxa de IMI será cobrada dos proprietários, esse novo valor refletir-se-á apenas nas construções novas, nos imóveis que sofrerem alterações ou que forem reconstruídos, ou na sequência de uma nova avaliação. Este é o primeiro aumento do valor médio de construção desde 2023.

Conforme informações divulgadas no Portal das Finanças ou comunicadas pelas autarquias, mais da metade dos 308 municípios do país deverá aplicar a taxa mínima de IMI prevista na lei, de 0,3%, no próximo ano.

Portagens

As portagens nas autoestradas serão atualizadas em 2,29% em 2026, com base no valor da inflação homóloga sem habitação de Outubro, acrescido de 0,1% de compensação às concessionárias.

Este aumento decorre do acordo feito em 2022 pelo Governo para compensar as concessionárias pela restrição a um aumento de cerca de 10% em 2023.

A partir de Abril, a totalidade da A25 Costa da Prata e Beiras Litoral e Alta, e dois trechos da A6 e A2 no Alentejo (entre o nó A2/A6/A13 e Caia, e entre o nó A2/A6/A13 e Almodôvar) ficará isenta de portagens.

No caso da A6 e A2, a isenção abrangerá apenas residentes e empresas localizadas em determinadas “áreas de influência” das duas autoestradas. Também estarão isentos de pagamento os veículos pesados na Circular Regional Exterior do Porto (A41) e em partes da A19 e A8, na região de Leiria.

Carne e peixe

A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) prevê aumentos de cerca de 7% para carne e peixe em 2026, segundo o presidente, Gonçalo Lobo Xavier, em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios. De acordo com o dirigente da associação que representa as principais cadeias de hiper e supermercados, “é inevitável” a continuidade do aumento dos preços da maioria dos alimentos no próximo ano.

Pão

Os preços do pão e produtos de pastelaria devem sofrer um “leve aumento” no próximo ano, influenciados pelos custos de trabalho, resultantes do aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN), e pelo aumento dos gastos com ovos, frutos secos e cartão. A isso, pode-se somar o possível impacto da retirada dos subsídios do Estado aos combustíveis.

Medicamentos

Antibióticos, analgésicos, antidiabéticos e outros medicamentos com custo de até 30 euros não sofrerão aumento de preço em 2026.

A portaria que atualiza anualmente o preço dos medicamentos, publicada em 14 de Novembro, amplia o número de fármacos vendidos nas farmácias que manterão o mesmo preço no próximo ano.

Comissões bancárias

A isenção da comissão de amortização antecipada de crédito à habitação a taxa variável, que visa auxiliar as famílias mais afetadas pelo aumento das taxas de juro desde 2022, chegará ao fim no final deste ano.

A comissão que voltará a ser cobrada é de 0,5% sobre o valor amortizado antecipadamente para empréstimos com taxa de juro variável. Para aqueles com taxa fixa, a penalização, que nunca foi suspensa, manter-se-á em 2%.

Crédito bonificado

A taxa de juro do crédito bonificado para compra de casa por pessoas com deficiência aumentará 0,06 pontos, passando de 2,563% para 2,623% no primeiro semestre de 2026, como reflexo da trajetória da taxa Euribor a seis meses, por decisão da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças.

Na prática, a taxa de referência para o cálculo das bonificações (TRCB) atua como um “desconto” aplicado sobre a taxa de juro de mercado associada aos empréstimos bancários.

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