Este fim de semana, inaugurou na cidade do Porto a Helena Rodrigues Galeria, com a exposição “Minha Senhora de Mim”, localizada na porta 1004 da Rua Santos Pousada. A mostra é inspirada na obra de Maria Teresa Horta (1937-2025) e reúne o trabalho de quatro artistas mulheres.

Conforme detalha o JN, este é um projeto concebido por Helena Rodrigues, uma jurista que tem colecionado obras de arte há mais de 20 anos. A criação deste espaço expositivo surge em resposta às “dificuldades de acesso aos circuitos expositivos em Portugal”.

A exposição inaugural, com curadoria de Sofia Vermelho, apresenta obras de Ânia Pais, Natacha Martins, Rute Pereira e da própria curadora, abarcando diversas linguagens artísticas e podendo ser visitada até o dia 28 de março.

A mostra baseia-se no livro e poema homónimo de Maria Teresa Horta, publicado em 1971 e apreendido pela PIDE, a polícia política da época, sob a alegação de que feriria a “moral tradicional da nação”. Posteriormente, a autora foi agredida publicamente por indivíduos não identificados.

Segundo a galeria, “Minha Senhora de Mim” revive uma obra icônica na crítica ao pensamento patriarcal e na afirmação do desejo e da sexualidade feminina.

O título do evento é um convite à reflexão, permitindo diferentes interpretações sobre o que significa ser mulher, sem impor leituras rígidas, enquanto garante uma coerência estética e conceitual entre os trabalhos apresentados.

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Durante o seu primeiro ano de programação, a responsável pela galeria comenta que a proposta será a divulgação de artistas emergentes cujo trabalho dialogue com a condição feminina, mantendo uma abordagem aberta a várias disciplinas e práticas artísticas contemporâneas.

A crescente proximidade com o meio artístico motivou Helena Rodrigues a criar este espaço, pensado para dar visibilidade a jovens criadores que buscam afirmação. “A maioria das galerias apresenta artistas mais reconhecidos e corre menos riscos”, destaca.

A programação ficará a cargo de Sofia Vermelho, com quem Helena Rodrigues desenvolveu o projeto, após um percurso acadêmico em pintura e a realização de um mestrado em estudos curatoriais.

Conforme afirmam as responsáveis, a exposição inaugural representa uma posição clara da nova galeria a favor da valorização de jovens mulheres artistas e da reflexão crítica sobre os limites ainda presentes na sociedade portuguesa.

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