David Ferreira, diretor da Robert Walters Portugal, destacou três tendências que irão influenciar o mundo do trabalho e a Gestão de Pessoas em 2026.

O ano de 2026 continuará a refletir a incerteza económica, as rápidas mudanças tecnológicas e os avanços em inteligência artificial que caracterizam os tempos atuais. Essa transformação acelerada nas empresas requer que os profissionais também se adaptem para manter sua relevância e competitividade.

Considerando este cenário, e após diversas interações com clientes e candidatos tanto em Portugal quanto a nível global, podemos destacar três tendências principais:

Lacuna de competências

Atualmente, existe uma discrepância entre as competências que as organizações necessitam para prosperar e as habilidades que os profissionais oferecem. Entre as soft skills, ressalto a resiliência, essencial para adaptar-se a um ambiente em constante evolução. A capacidade de se ajustar a novas tecnologias ou mudanças estruturais é crucial para garantir a agilidade e a viabilidade dos negócios.

Ao projetar o futuro em 2026, é impossível não mencionar a Inteligência Artificial. As organizações passaram a esperar que os candidatos não apenas saibam utilizá-la, mas que dominem ferramentas de IA generativa da mesma forma que usam o Word. Com a ascensão das soluções de IA, a habilidade que se destaca é a visão estratégica, que, apesar de parecer básica, é difícil de encontrar em perfis de middle-management. Nos próximos anos, enquanto a IA realiza tarefas automatizadas, as empresas precisarão de líderes com pensamento crítico que possam fomentar novas ideias.

Envelhecimento da população

Uma das mudanças mais significativas será o impacto da transformação demográfica. O envelhecimento da população na Europa levará as organizações a reconsiderar como atrair e desenvolver talentos mais jovens, enquanto gerenciam equipes multigeracionais. Com a aposentadoria dos Baby Boomers – que, apesar das novas regulamentações, continua sendo adiada – haverá uma significativa lacuna em experiência e liderança, obrigando as empresas a criar estratégias eficazes para a transferência de conhecimento.

Aqui, o papel das universidades e escolas de negócios torna-se crucial, pois devem colaborar com as empresas para preparar os líderes do futuro nas competências e habilidades realmente necessárias.

Transparência salarial

A Diretiva Europeia sobre Transparência Salarial, que entrará em vigor em junho de 2026, está se tornando cada vez mais relevante para as empresas em Portugal. A implementação de políticas retributivas mais transparentes terá um impacto direto na atração e retenção de talentos, podendo “agitar” o mercado de trabalho.

Por um lado, alguns profissionais podem se sentir mal remunerados ao comparar seus salários, tanto internamente quanto com os da concorrência. Isso pode levar a um aumento nas taxas de rotatividade, criando instabilidade interna e forçando as empresas a investir mais em suas estratégias de retenção.

Por outro lado, profissionais mais informados poderão ter mais poder na negociação salarial, o que impactará especialmente pequenas empresas que precisam atrair talentos escassos, já que encontram maiores dificuldades para competir com multinacionais em termos salariais.

Em resumo, em um contexto onde tecnologia, demografia e regulamentação continuam a transformar o mundo do trabalho, 2026 deve ser visto como uma oportunidade extraordinária para evolução. As empresas que conseguirem equilibrar visão estratégica com adaptação e uma cultura centrada nas pessoas estarão mais preparadas para prosperar. Profissionais que investirem continuamente em seu desenvolvimento se tornarão protagonistas nessa nova era.

Embora o futuro traga desafios, ele também oferece a chance de reinventar modelos, fortalecer lideranças e criar ambientes de trabalho mais transparentes, inclusivos e equilibrados. Se encararmos essas tendências não apenas como indicadores de mudança, mas como motores de progresso, estaremos preparando o caminho para organizações mais fortes e para carreiras mais significativas.

Para 2026 e além, o sucesso pertencerá àqueles que tiverem coragem para aprender, flexibilidade para se adaptar e ambição para transformar. O futuro do trabalho está em movimento, e cabe a todos nós moldá-lo.

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