Jorge Valadas, líder do escritório da Egon Zehnder em Portugal, destacou três tendências que irão impactar o cenário do trabalho e da Gestão de Pessoas em 2026.
À medida que o mundo do trabalho avança para 2026, tornou-se menos surpreendido pelas mudanças e mais consciente da sua complexidade. A instabilidade não é mais algo pontual, mas sim estrutural, levando organizações e líderes a reavaliar de forma aprofundada a maneira como atraem, desenvolvem e avaliam os talentos. A experiência da Egon Zehnder com executivos de alta liderança e conselhos em diversas regiões aponta para três tendências cruciais que moldarão a agenda da Gestão de Pessoas no próximo ciclo.
A liderança adaptativa como o principal ativo organizacional
Em um cenário de incerteza prolongada, a liderança adaptativa emerge como a habilidade essencial para executivos de alto nível. Mais do que a experiência funcional ou um histórico de êxito, a capacidade de aprender rapidamente, integrar diversas perspectivas, liderar em meio à ambiguidade e tomar decisões impactantes além do negócio se torna crucial. A curiosidade, a escuta ativa, a inteligência emocional e a coragem para inovar se tornam atributos diferenciadores. Em 2026, os processos de avaliação e desenvolvimento evoluirão para medir o potencial futuro, incluindo agilidade mental e emocional, em vez de apenas resultados passados.
A convergência entre pessoas, dados e IA – o CHRO assume um papel central na estratégia
A Gestão de Pessoas está entrando em uma fase de maior sofisticação analítica e personalização. A análise de pessoas, a literacia em IA e o uso criterioso da tecnologia possibilitam a criação de jornadas de desenvolvimento mais eficazes, personalizadas e voltadas para resultados reais. A IA vai deixar de ser uma questão exclusiva da área tecnológica e se tornará uma competência transversal na liderança, focando na aplicação aos negócios, na gestão de riscos e na ética. Nesse contexto, o CHRO se posiciona como um estrategista de negócios, com responsabilidade direta sobre habilidades críticas, garantindo que o talento que entra e se desenvolve na organização já possua as capacidades necessárias para alavancar as novas tecnologias como parte de uma unidade de negócios moderna e preparada para o futuro.
Lideranças de topo mais integradas: sucessão contínua, C-suite híbrido e conselhos orientados à performance
A estrutura das lideranças de topo está em transformação. Funções híbridas e integradoras estão ganhando destaque, exigindo líderes capazes de atuar nas intersecções entre estratégia, tecnologia, clientela e impacto. Paralelamente, a sucessão deixa de ser um exercício reativo para se tornar um processo contínuo, iniciado mais cedo e sustentado por um desenvolvimento estruturado de talento interno. Os conselhos também estão evoluindo: mais do que diversidade simbólica, eles buscam inclusão efetiva e competências essenciais em áreas como IA, cibersegurança e sustentabilidade, reconhecendo que a qualidade na governança é atualmente um fator direto de execução e geração de valor.
Em 2026, as organizações que se destacarão serão aquelas que colocarem o talento no centro da estratégia, reconhecendo a Gestão de Pessoas como uma alavanca crítica de competitividade, execução e resiliência em um contexto de mudança constante.
