Rita Correia, diretora de People & Culture da Deloitte, afirma que “a combinação de habilidades técnicas e competências comportamentais será o verdadeiro motor da inovação e da sustentabilidade nas organizações”.

“O Barómetro deste mês prevê, em linhas gerais, boas perspectivas para o mercado de trabalho em Portugal no próximo ano. No entanto, revela uma clara preocupação com a inteligência artificial e o impacto que poderá ter, ou que já tem, nas empresas. Este é um indicativo de que esse assunto ainda continuará a ser central no debate sobre o futuro do trabalho, exigindo de nós uma reflexão responsável e realista.

É também significativo que 66% dos entrevistados reconheçam o aumento do uso de GenAI para realizar tarefas que antes eram desempenhadas por humanos. Embora esse número não seja surpreendente, uma vez que todos sentimos essa mudança em nosso cotidiano, ele reforça a necessidade de repensar estratégias e, em especial, preparar adequadamente as equipes para novos desafios e oportunidades. Sabemos que as ferramentas, por si só, não são transformadoras; é a maneira como as utilizamos que realmente faz a diferença.

Nessa perspectiva, os processos de upskilling e reskilling se tornam passos essenciais para desenvolver e acelerar talentos, contrariando a percepção, também mencionada neste barómetro, de que a inteligência artificial eliminará mais empregos do que criará nos próximos cinco anos. É verdade que ainda estamos buscando formas de coexistir pacificamente com as máquinas, o que gera alguns receios. Entretanto, não acredito que estejamos diante de uma destruição linear de funções; estamos, na verdade, passando por uma profunda reconfiguração do modelo de trabalho.

Nesse cenário, a formação em “human skills” — como pensamento crítico, empatia, adaptabilidade e liderança — revela-se crucial. Essas competências permitem que os profissionais se destaquem, garantindo que a tecnologia seja utilizada para potencializar, e não substituir, o valor humano. A combinação de habilidades técnicas e competências comportamentais será o verdadeiro motor da inovação e da sustentabilidade nas organizações.

É responsabilidade das organizações e dos líderes assegurar que esse processo de reaprendizagem seja conduzido de maneira rápida e inclusiva, proporcionando aos profissionais o suporte necessário para se adaptarem às novas exigências. Somente assim poderemos garantir que, para cada função que se torne obsoleta, sejam criadas duas ou mais que sejam essenciais na era digital.

Este testemunho foi publicado na edição de dezembro (nº. 180) da Human Resources, no âmbito do seu LXIIBarómetro.

Disponível nas bancas e online, naversão em papel e naversão digital.

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