Ainda que a troca frequente de empregos seja incomum no Japão, essa tendência está crescendo. Um serviço cada vez mais popular está ajudando os trabalhadores nessa situação. Por uma taxa de até 50.000 ienes (aproximadamente 271 euros), colaboradores insatisfeitos podem contratar alguém para se desligar em seu nome, conforme reporta o The Washington Post.

Esse serviço explodiu desde a pandemia, com trabalhadores citando motivos como “bullying ou assédio moral no trabalho”, falta de coragem para enfrentar o chefe ou simplesmente a falta de habilidades para se demitir, já que isso é algo raro de acontecer. Quase uma em cada dez empresas japonesas “recebeu pedidos de demissão através de terceiros”, segundo uma pesquisa de 2024 da Tokyo Shoko Research.

Esse aumento evidencia um “lado sombrio da cultura de trabalho japonesa”, afirmou a Channel News Asia (CNA). Frequentemente, os chefes exercem “um poder desproporcional sobre os colaboradores”, resultando na expectativa de “longas horas de trabalho e horas extras não remuneradas”. Os trabalhadores são regidos pelo conceito de “messhi hoko” – ou “abnegação pelo bem comum” – que está “enraizado” na cultura trabalhista japonesa.

A expectativa de priorizar as necessidades da empresa em detrimento das pessoais é frequentemente citada como uma das razões para a queda da taxa de natalidade no Japão. Em casos extremos, essa situação pode ser fatal, manifestando-se no fenômeno da “morte por excesso de trabalho” (“karoshi”).

No entanto, as evidências sugerem que um número crescente de pessoas está desafiando os tabus tradicionais e optando por essa mudança, conforme destacou o The Japan Times.

As mudanças demográficas agora favorecem os jovens, que possuem mais poder de negociação devido à queda da taxa de natalidade, ao envelhecimento da população e à redução da força de trabalho. As gerações mais novas são menos tolerantes às longas jornadas de trabalho, uma “marca registrada da cultura empresarial japonesa”. O que antes era considerado uma “ideia revolucionária”, como pedir demissão para obter melhores condições, é agora uma possibilidade muito mais comum.

Os trabalhadores mais jovens também estão mais inclinados a reivindicar os benefícios que seus empregadores são legalmente obrigados a fornecer, apontou o The Economist. A proporção de homens que tiram licença de paternidade aumentou de 2% dos elegíveis há uma década para 30% em 2023.

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