O Hospital de São João, no Porto, irá investir 21 milhões de euros na modernização do Bloco Operatório Central e do bloco operatório do Serviço de Urgência. Esta intervenção visa resolver problemas estruturais que se acumularam ao longo de várias décadas, além de adaptar os espaços às exigências da cirurgia moderna.
Dos 21 milhões de euros, a maior parte, 17 milhões, será direcionada para o Bloco Operatório Central. Os restantes quatro milhões serão utilizados na renovação do bloco operatório de urgência. De acordo com uma entrevista do JN aos responsáveis do hospital, esse investimento representa o maior realizado até hoje pelo São João em blocos cirúrgicos.
Bloco central será totalmente reconstruído
Embora já utilize tecnologia avançada, incluindo robôs cirúrgicos, o Bloco Operatório Central funciona em instalações antigas, sem grandes obras desde a construção do hospital, há 67 anos. Até agora, apenas intervenções de reparação e adaptações pontuais foram feitas.
A remodelação planejada promete transformar completamente esta área, que realiza uma média de 55 cirurgias diárias. Após a conclusão das obras, o bloco contará com 10 salas de última geração, equipadas com paredes digitais que projetarão exames como TAC, ressonâncias e ecografias, além de tecnologia de exportação de imagem e apoio a cirurgias em contexto de ensino.
As novas salas estarão protegidas radiologicamente e serão projetadas para acompanhar a evolução tecnológica no futuro.
Urgência também entra em modernização
Simultaneamente, o bloco operatório do Serviço de Urgência passará por intervenções. Este espaço, que funciona 24 horas por dia, tornou-se claramente insuficiente para a atividade atual, segundo a direção clínica.
A obra nesta área estará orçada em quatro milhões de euros e integra o plano global de renovação das áreas cirúrgicas do hospital.
Hospital promete manter atividade cirúrgica
A administração assegura que as obras não afetarão a produção cirúrgica. Para isso, serão criadas instalações provisórias onde a atividade será temporariamente transferida.
No que diz respeito ao Bloco Operatório Central, será montado um conjunto de 10 salas pré-fabricadas na área do estacionamento, próximo à sala de espera de oftalmologia. Para o bloco da urgência, estão previstas duas salas provisórias do lado de fora e uma terceira em uma área disponível da ala pediátrica.
Os responsáveis enfatizam que a intenção é manter o volume assistencial atual. No Bloco Operatório Central, realizam-se anualmente cerca de 11 mil cirurgias programadas com internamento, abrangendo quase todas as especialidades, exceto cirurgia cardíaca, oftalmologia, neurocirurgia e otorrinolaringologia, que utilizam blocos periféricos.
Falta de espaço e sinais de desgaste
A necessidade de intervenção decorre também das limitações físicas do espaço. Os corredores acomodam equipamentos que não deviam estar em zonas de passagem, falta área para preparação de materiais, há infiltrações e algumas portas de madeira são consideradas inadequadas do ponto de vista da desinfecção.
A direção do bloco destaca que o hospital mudou radicalmente desde a sua inauguração e que a dimensão da atividade atual exige melhores condições para profissionais, pacientes e equipamentos.
Mais salas operatórias serão intervencionadas
O plano de obras não se restringe a estes dois blocos. Dentro de cerca de dois meses, iniciarão intervenções no bloco de cirurgia cardíaca, onde uma das três salas será transformada em sala híbrida. No próximo ano, estão previstas obras nos blocos de estomatologia e oftalmologia.
Em um período de dois anos, o hospital planeja intervir em 18 salas operatórias.
