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João Prates é um colaborador na Tribuna VIP do Bola na Rede. Ele étreinador de futebol, formado em Psicologia do Desporto e compartilha suas opiniões em nossosite. O técnico de 52 anos já treinou o Dziugas na Lituânia, o Vaulen na Noruega e o Naft Maysan, no Iraque, além de ter trabalhado nas categorias de base do Al Batin e do Hajer Club na Arábia Saudita.
O mercado de inverno existe, muitas vezes, para corrigir erros cometidos no verão. Erros de avaliação, de formação de plantel, de leitura do contexto, ou simplesmente questões de tempo ou financeiras. Janeiro, na maioria das vezes, não é um planejamento puro, mas sim uma oportunidade de correção. No entanto, nem todas as equipes chegam a janeiro pelo mesmo motivo. Há clubes que lutam pelo título, outros buscam lugares europeus e alguns lutam pela permanência. Os objetivos variam, e, portanto, as razões para entrar no mercado também são diferentes. Janeiro não é apenas uma questão de urgência; pode ser uma boa oportunidade.
Resumir o mercado de inverno ao desespero seria injusto. Existem clubes que utilizam esse período para:
- Antecipar o futuro
- Aproveitar oportunidades inesperadas
- Conseguir espaço para alcançar os objetivos estabelecidos
Em algumas situações, janeiro pode ser um bom momento para integrar um jovem jogador com potencial de valorização futura. Em outros casos, serve para adicionar qualidade e opções a um plantel que já possui uma base sólida. Tudo isso é legítimo, contanto que haja coerência. Quem faz muitas mudanças em janeiro, normalmente, cometeu erros no verão. A lógica é simples.
Quando um clube realiza uma revolução em janeiro, isso raramente é sinal de boa visão. Geralmente indica que:
- Os perfis escolhidos no verão não se adequaram
- O equilíbrio do plantel foi comprometido
- A identidade nunca se estabeleceu
Os clubes mais organizados fazem poucas mudanças em janeiro, não por falta de ambição, mas porque já acertaram anteriormente. O ponto muitas vezes negligenciado: os perfis. Em janeiro, mais do que talento, procuramos os perfis certos. E isto não é apenas teoria. Experimentei isso por dentro no meu último ano na Lituânia. Erros nos perfis em janeiro podem significar o fim de uma temporada.
Não porque o jogador não tenha qualidade, mas porque:
- Não se adapta rapidamente
- Não compreende o contexto
- Não se encaixa no grupo
- Não responde bem à pressão emocional
Em janeiro, não há tempo; não existe margem para “vamos esperar”.
Por isso, a clareza é fundamental:
- Qual é o papel que este jogador desempenhará?
- Vem para jogar imediatamente ou para dar profundidade ao elenco?
- Adiciona equilíbrio ou cria conflitos?
Sem respostas claras, o mercado de inverno pode se transformar em um grande risco. Às vezes, liderar significa não contratar. Este é talvez o aspecto menos popular do mercado de inverno, mas um dos mais honestos.
Existem momentos em que não ir ao mercado é a melhor decisão:
- Proteger o grupo
- Reforçar a confiança interna
- Assumir que os erros não são sempre resolvidos com mais um jogador
- Proteger o equilíbrio financeiro
- Contratar sem adicionar qualidade não é necessário
Dizer “confiamos em quem está aqui” exige coragem e liderança. Nem todos os clubes estão preparados para isso. O mercado de inverno não define temporadas por si só. O que realmente define épocas é a qualidade das decisões tomadas sob pressão. Janeiro não separa os que sabem contratar. Janeiro é a época que diferencia quem consegue ler contextos, definir perfis e decidir com clareza.
No mundo do futebol, quem já enfrentou contextos difíceis sabe: errar em janeiro pode custar caro, mas errar nos perfis pode custar tudo.
