O Hospital de Braga realizou, na segunda-feira, 29 de dezembro, as primeiras cirurgias cardiotorácicas da sua história, passando a dispor de uma resposta que até agora obrigava à referenciação de doentes para o Hospital de São João, no Porto. Para a Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, trata-se de um momento “histórico” para a instituição e para a população do Minho.
Em comunicado divulgado esta terça-feira, a ULS adianta que os primeiros procedimentos corresponderam a uma cirurgia de revascularização do miocárdio, conhecida como bypass coronário, e a uma cirurgia de substituição de válvula aórtica. A concretização desta nova valência surge após “mais de duas décadas de reflexão clínica e organizacional” sobre a necessidade de criar uma resposta de cirurgia cardíaca na região.
Segundo a ULS, este avanço representa um reforço significativo da capacidade do Serviço Nacional de Saúde, permitindo maior proximidade dos cuidados, elevados padrões de qualidade clínica e maior segurança para os doentes, que deixam de ter de se deslocar para fora da região para este tipo de intervenção.
Questionada sobre o número de cirurgias que poderão vir a ser realizadas, fonte do conselho de administração explicou que ainda não é possível avançar com estimativas, sublinhando que o objetivo inicial passa por dar resposta aos doentes que até agora eram encaminhados para o São João, bem como a novos casos que venham a ser identificados. (via JN)
A introdução da cirurgia cardíaca no Hospital de Braga deverá ter também impacto direto na área da cardiologia de intervenção, permitindo alargar a resposta no tratamento da doença valvular. Como próximo passo, está já prevista a implantação percutânea de válvula aórtica, considerada pela ULS um investimento clínico e tecnológico de grande relevância.
O projeto de cirurgia cardíaca da ULS de Braga foi aprovado no final de 2023, no âmbito da revisão da rede nacional de referenciação, que previu a criação de dois novos centros de cirurgia cardíaca no país. A escolha da região do Minho teve em conta a elevada densidade populacional e as necessidades assistenciais identificadas.
