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Na França, observamos um fenômeno que talvez tenha surpreendido nas previsões da temporada da Ligue 1. O Lyon tem mostrado um futebol interessante e cada vez mais relevante, especialmente com os desafios que se aproximam. Com o primeiro lugar na fase de grupos da Europa League e uma posição consolidada sobre o Marselha e o Stade Rennais, o clube se aproxima da qualificação para a Champions League, após seis anos de ausência.
Para avaliar esse retorno aos holofotes, é necessário debater as previsões mencionadas. Com o suporte do consórcio BlueCo, que gerencia as operações de futebol do Chelsea, e o crescimento de jovens talentos como Emmanuel Emegha e o luso-belga Diego Moreira, a temporada do Estrasburgo parece não atender às expectativas dos fãs em relação à uma possível qualificação para a Champions League no próximo ano. A saída e as ausências cada vez mais significativas de Emegha foram minimizadas pelo argentino Joaquin Panichelli, que marcou 12 gols nesta temporada. Dois defensores do clube também estão se destacando: Valentin Barco e Guela Doué, irmão de Désiré Doué do PSG. O problema, no entanto, vai além da sétima posição e está relacionado ao modelo atual do Estrasburgo.
A estabilidade tática para manter a curva de aprendizagem dos jovens jogadores não é a maior preocupação, considerando a adaptação de Liam Rosenior, ex-Estrasburgo, ao Chelsea, que possui um estilo de jogo similar ao do ataque de Enzo Maresca.
O consórcio também fez uma escolha semelhante ao contratar Gary O’Neil, que conseguiu resultados positivos contra o Marselha e o Lille (2-2 e 4-1, respectivamente). Contudo, a expectativa em relação ao Estrasburgo, como um centro de formação de talentos em seu terceiro ano de projeto, exigiria que o rendimento atingisse um patamar de competitividade que permitisse a conversa sobre a Champions League. A contratação de O’Neil deve ser considerada legítima, dado seu conhecimento da Premier League com o Bournemouth e sua influência na nova geração do Wolverhampton. Entretanto, as preocupações dentro da hierarquia do consórcio podem prejudicar as ferramentas que o Estrasburgo possui para competir. O clube ainda tem doze rodadas para recuperar uma desvantagem de nove pontos.
Mesmo com a saída de Rosenior para o Chelsea e Emegha seguindo o mesmo caminho, Barco e Panichelli podem também deixar o clube durante a janela de transferências do verão, colocando em risco um projeto que até o momento está aquém das expectativas, exceto pelo primeiro lugar na fase de grupos da Conference League. Isso deve estimular as ambições de um grupo jovem que enfrenta as mesmas dificuldades de consistência de resultados da equipe parenta na Ligue 1.
O recrutamento feito pela equipe de Paulo Fonseca neste período explica bem as inseguranças em torno do sucesso necessário. Antes do início da pré-temporada, a despromoção do clube por descumprimento de regras para a Ligue 2 foi anunciada, algo que o proprietário John Textor negou veementemente, buscando apaziguar os ânimos da torcida ansiosa pelo desfecho dessa situação.
Apesar da crise financeira do clube, intensificada pelas incertezas ligadas a outras estruturas esportivas do grupo de aquisições do empresário inglês, como o Crystal Palace, em relação a participação em competições europeias, o Lyon escapou de uma sanção severa, além da proibição inicial de transferências. Para reforçar o elenco, chegaram Afonso Moreira, Tyler Morton e, meses depois, Endrick — três jovens pilares na reformulação do Lyon após a saída de Cherki e Lacazette.
Os dois primeiros exemplificam uma tendência atual nas transferências do futebol europeu, onde promessas da base de grandes clubes nacionais são transferidas para obter tempo de jogo e se tornam peças-chave em suas novas equipes. Não diria que Tyler Morton (ex-Liverpool) está ao nível de Nico Paz ou Cole Palmer, ambos jogadores ofensivos que deixaram suas respectivas equipes na busca por mais protagonismo e rapidamente se destacaram em suas ligas. No entanto, Morton, aos 23 anos, finalmente encontrou espaço após não ter conseguido se firmar no time de Arne Slot, participando de 20 partidas em 21 rodadas na primeira divisão francesa, algo que não ocorria desde seu empréstimo ao Hull City na temporada 2023/24. A qualidade do internacional sub-21 é utilizada por Paulo Fonseca para ditar o ritmo defensivo e realizar passes decisivos que rompem linhas adversárias. Morton lidera em profundidade (passes longos por 90 minutos), mas as estatísticas não refletem totalmente como sua presença impacta a progressão do ataque no último terço, tornando-se imprescindível. Sua ausência força Fonseca a buscar novas táticas para mobilizar o ataque.
O português e ex-Sporting, Afonso Moreira, tem se destacado enormemente como extremo esquerdo, ocupando a posição de Malick Fofana, que provavelmente permanecerá no clube além desta temporada. Com mais experiência adquirida no clube e em jogos importantes, especialmente após o retorno de Fofana de lesão e a sua possível reintegração ao time titular, Fonseca contará com ótimas opções dependendo do ritmo e táticas a serem adotadas. As últimas contribuições de Afonso, que somam um gol e três assistências nos últimos cinco jogos, evidenciam uma adaptação bem-sucedida.
Outros reforços incluem Pavel Sulc, um meia ofensivo que às vezes atua como um falso nove, especialmente com a chegada de Endrick ao Lyon. O checo de 25 anos, contratado no verão passado, já anotou 10 gols em 19 partidas nesta temporada, mostrando-se um sucessor confiável para Lacazette.
Endrick, um brasileiro de 19 anos, também está se consolidando como uma opção viável no ataque, especialmente após sua performance contra o Metz, onde realmente marcou sua estreia na França. Contratações como essa no janeiro podem ser motivadas pela busca de mais tempo em campo, um exemplo que pode ser visto com Ethan Nwaneri, promessa do Arsenal que perdeu espaço e foi emprestado ao Marselha na janela mais recente.
No final, a entrada de Endrick é uma adição importante e evidencia a confiança que o Lyon tem investido no rejuvenescimento do plantel, destacando o sucesso atual do empréstimo do atacante como um bom exemplo.
O Lyon ocupa o primeiro lugar em uma fase de grupos em que tanto Aston Villa quanto Nottingham Forest não conseguiram manter a predominância habitual da Premier League nas competições europeias, mesmo com a atual situação na Ligue 1. A vitória que garantiu a liderança, em casa, por 4-2 contra o PAOK, teve três gols marcados por promessas do clube. Com um time tão jovem competindo em nível europeu, superar o desafio de um rival na disputa dos playoffs é uma conquista significativa e reforça a nova imagem de um Lyon em reformulação.
Em comparação aos projetos mais consolidados da Ligue 1, apenas o PSG se destaca na tabela, com dois talentos de sua formação se destacando, como Ibrahim Mbaye, um jovem de 18 anos que foi campeão da última edição da CAN pelo Senegal, e Warren Zaire-Emery, de 19 anos, além de Senny Mayulu, que foi um dos marcadores na final da Champions League contra o Inter de Milão. O Lens, que é uma das equipes mais envelhecidas, também se encontra em disputa pelo título, liderando o campeonato em uma temporada onde o PSG se encontra fragilizado e pode ver-se perdendo um título que há muito tempo é considerado seu, especialmente após o fracasso de Neymar e Mbappé contra o Lille em 2021.
Atualmente, o Lyon possui uma média de idade de aproximadamente 26 anos em seu elenco inicial, uma redução em relação aos 27 anos da temporada 2024/25, que estava abaixo do Lens. Isso pode indicar a combinação final para o sucesso de uma equipe jovem: a união desse fator com a maturidade que está sendo obtida com a liderança pós-Lacazette.
