Saúde (53%), educação (43%) e desemprego (34%) são percebidos como os principais problemas nos países de língua portuguesa, segundo a visão de seus cidadãos. Os dados são do Barómetro da Lusofonia, que será oficialmente divulgado na quarta-feira, 28 de janeiro.
O estudo, realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas (Ipespe), com sede em São Paulo, revela que, ao contrário de outros países da Comunidade, os portugueses não mostram preocupação significativa com o desemprego, mencionado por apenas 9%. Embora a inflação também apareça com baixa frequência, 22% dos entrevistados expressam inquietação em relação à economia em geral.
A principal exceção é Moçambique, onde apenas 28% destacam a área econômica. Entre os angolanos, as preocupações seguem a tendência geral, com educação (53%), saúde (48%) e desemprego (45%) no topo do ranking, mas com uma significativa ênfase em educação e desemprego em comparação com a média dos países. A inflação ocupa o quarto lugar e assume uma relevância muito maior, correspondendo ao dobro da média geral.
Na Guiné-Bissau, os índices atribuídos a saúde e educação são excepcionalmente altos: 85% apontam saúde e 78% educação como principais desafios. Esses são os maiores índices registrados entre os problemas analisados, indicando carências agudas em áreas essenciais de serviços públicos.
No Timor-Leste, a percepção dos problemas se distribui em várias frentes críticas, com cerca de seis em cada dez entrevistados citando saúde (59%), educação (59%) e desemprego (58%). Em Moçambique, a educação lidera as preocupações (35%), mas também estão presentes questões como desemprego (21%), inflação e economia em geral, sugerindo que as questões econômicas, em conjunto, são o foco central das inquietações no país.
Em Portugal, a saúde ocupa a primeira posição, com 55% das citações, sendo a única exceção Moçambique, onde apenas 28% destacam essa área. De acordo com o especialista brasileiro Antonio Lavareda, o Barómetro da Lusofonia evidencia que as preocupações centrais dos cidadãos estão ligadas à qualidade dos serviços públicos e às condições econômicas. Em um segundo plano, surgem temas como violência, inflação e acesso a água, energia e saneamento básico.
Para os brasileiros, os principais problemas do país, no momento da primeira edição do Barómetro, são saúde (45%), violência (40%) e educação (35%). Após a megaoperação policial contra facções criminosas no Rio de Janeiro, o tema da segurança ganhou centralidade no debate público nacional, o que pode ter influenciado a baixa menção de 8% a política, guerras ou conflitos armados.
Em Cabo Verde, a violência tem uma relevância similar à do Brasil, com 47% de menções, mas fica atrás da saúde (55%) e do desemprego (60%), que é a principal preocupação neste país. A inflação e o aumento de preços recebem 25% das menções, o segundo maior percentual entre os oito países analisados.
O relatório completo incluirá indicadores sobre Saúde; Educação; Desemprego; Violência; Inflação ou aumento de preços; Água, energia elétrica e saneamento; Corrupção; Infraestrutura, como estradas e transportes; Desigualdade social e pobreza; Economia; Instabilidade política, guerras e conflitos armados; Imigrantes; Habitação; Desastres ambientais; Situação das mulheres; Discriminação contra a comunidade LGBTQIA+; Racismo; Justiça; Acesso à internet; Falta de incentivo para a agricultura; Cultura; Baixos salários; Outras menções abaixo de 1%; Nenhum e Não Sabe/Não Respondeu (NS/NR). Os dados são segmentados por idade e escolaridade em cada um dos oito países. Segundo o especialista brasileiro Antonio Lavareda, o nível de instrução é a variável que gera as maiores diferenças na percepção dos problemas.
Coordenado pelo cientista político Antonio Lavareda, o primeiro Barómetro da Lusofonia apresentará as percepções dos cidadãos de cada país sobre 25 indicadores, formando um retrato da lusofonia contemporânea. Segundo Lavareda, em quase todos os países pesquisados, a saúde é uma preocupação significativa, com percentuais frequentemente próximos ou superiores à metade dos entrevistados.
